Biotratamento para Redução do Teor
de Lipídeos Presentes em Efluentes das Indústrias de Produtos Lácteos
Adriano A. Mendes*, Heizir F. de Castro
Laboratório de Biocatálise,
Departamento de Engenharia Química
Faculdade de Engenharia
Química de Lorena, Caixa Postal 116, 12.606-970, Lorena-SP
*E-mail: adriano.a.mendes@dequi.faenquil.br
Resumo: Preparações
de lipases de procedência nacional (pancreatina Kin Master-LKM) e importada
(pancreática Sigma, Tipo II-LPP) foram utilizadas na hidrólise de óleos e gorduras
presentes em soro de queijo. Diferentes condições experimentais foram testadas
para verificar a influência da
concentração do agente emulsificante, íons cálcio e ajuste de pH na formação de
ácidos graxos. As preparações enzimáticas apresentaram desempenhos bastante
similares com formação máxima de ácidos graxos nos tratamentos efetuados numa
concentração enzimática de 3 mg/mL, adição de agente emulsificante 3% p/v,
ajuste de pH do meio reacional com solução NaOH 1M e ausência de íons cálcio.
Nas amostras tratadas enzimaticamente foram ainda determinados os teores de
interesse do processo, incluindo: demanda química de oxigênio, teores de
proteína e glicerol. A preparação enzimática disponível no mercado nacional
ofereceu melhor custo/benefício.
Palavras
chave: lipases, efluentes, produtos lácteos, tratamento enzimático, hidrólise.
1.
INTRODUÇÃO
Os laticínios representam um importante
setor da indústria alimentícia, tanto do ponto de vista econômico quanto
social. Entretanto, considerando o grande número de empresas que lançam seus
efluentes sem nenhum tipo de tratamento nos cursos d’água, a contribuição
dessas indústrias, em termos de poluição hídrica, principalmente com relação à
carga orgânica, é bastante significativa. O problema agrava-se se for
considerado que 90% dos laticínios, em funcionamento, são de pequeno e médio
portes, não possuindo quadro qualificado para lidar com as mudanças necessárias
à implementação de tecnologias limpas e com a operação de sistemas de
tratamento de efluentes.
O efluente gerado, pelos laticínios, na
manufatura de leite, contém uma Demanda Química de Oxigênio (DQO) em torno de
3000 mg/L. Em setores, onde há uma grande produção de queijos e derivados, o
valor de DQO é superior a 50000 mg/L (Gavala et al., 1999). Desse montante, o teor de lipídeos é superior a 100
mg/L (Hwu et al., 1998). A
acumulação, desses compostos, causa problema na digestão anaeróbia de
efluentes, como toxicidade a microorganismos acetogênicos e metanogênicos
(Hanaki et al., 1981), formação de
espumas, devido ao acúmulo de ácidos graxos não biodegradados (Salminen e
Rintala, 2002) e decréscimo da concentração de trifosfato de adenosina (ATP)
(Hanaki et al., 1981; Perle et al., 1995).
Os
lipídeos impedem a adsorção de ácidos graxos na superfície celular causando
flotação da biomassa e impedindo a formação de grânulos de lodo em reatores
anaeróbios do tipo UASB (Gavala et al.,
1999; Hwu et al., 1998). A flotação
do lodo é decorrente da dificuldade de liberação de gases produzidos na
digestão anaeróbia (Petruy e Lettinga, 1997).
A biodegradação de óleos e gorduras, em compostos mais simples, consiste em
utilizar lipases para promover a reação de hidrólise por via seqüencial dos
grupos acila no glicerídeo (Haraldsson,
1991).
Lipases
(triacilglicerol acil hidrolases, E.C.3.1.1.3) compreendem um grupo de enzimas
hidrolíticas que atuam na interface orgânica-aquosa, catalisando a hidrólise de
ligações éster-carboxílicas, presentes em acilgliceróis e podendo a reação
inversa (síntese) ocorrer em ambientes pobres em água (Saxena et al., 2003). As lipases podem ser
classificadas como régio-específicas e não específicas, ambas de grande
interesse para o tratamento de efluentes com alto teor de lipídeos (Saxena et al., 2003). As lipases específicas
hidrolisam ácidos graxos específicos, como é o caso das lipases de fonte animal
que hidrolisam ácidos graxos na posição 1,3 (Benzonana e Desnuelle, 1965). Esse
tipo de tratamento apresenta algumas
vantagens, tais como a especificidade que permite controlar os produtos, o que
leva a um aumento dos rendimentos pela não-geração de subprodutos
tóxicos, condições moderadas de operação,
redução do custo em termos de energia e de equipamentos tornando este
processo atrativo sob o ponto de vista ambiental (Masse et al., 2001).
A digestão anaeróbia destes rejeitos é um
processo lento, tendo como etapa limitante à liberação de ácidos graxos pelos
microrganismos específicos com atividade lipolítica (Perle et al., 1995). A utilização de um pré-tratamento enzimático mostra ser
uma técnica bastante promissora na redução do tempo de retenção hidráulica,
deste efluente, em lagoas de estabilização (Leal et al., 2002).
O
principal objetivo deste trabalho foi estudar a redução do teor de gordura de
efluentes de indústrias de produtos lácteos tratados com preparações de lipases
pancreáticas de procedência nacional, lipase LKM e estrangeira, lipase LPP. O
soro de queijo foi usado como substrato representativo para determinar a
influência das variáveis na hidrólise dos lipídeos presentes em efluentes de
indústria de produtos lácteos.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1. Materiais
Foram utilizadas preparações de
lipases comerciais de origem animal, pancreática (Tipo II) adquirida da empresa Sigma Co (EUA)
e pancreatina 6NF gentilmente fornecida pela empresa Kin Master (RS). O substrato utilizado, como
efluente, foi o soro de leite gerado na produção de queijo tipo Minas no
Laboratório de Biocatálise/ FAENQUIL. O soro foi guardado em recipientes de
plásticos de 1,5 litros limpos não esterilizados e armazenados em freezer a 0°C, para conservação das suas características. Todos
os reagentes empregados foram de grau analítico.
2.2.Testes de Hidrólise com as
Preparações de Lipase
O método consistiu no monitoramento da
reação de hidrólise, medindo-se a produção de ácidos graxos, em intervalos de
tempo definidos, num período total de 24 h. Parâmetros reacionais, tais como pH
e temperatura foram fixados tomando por base resultados anteriormente obtidos
referentes a caracterização bioquímica dessas preparações enzimáticas (Gomes et al., 2002). O substrato foi preparado
pela adição direta do agente emulsificante ao efluente bruto. Em balões de
fundo redondo de 125 mL foram adicionados emulsões preparadas com 50 g do
efluente, massas apropriadas de goma arábica (3-7% m/v) e íons cálcio (0-0,11
g). O pH do meio reacional foi ajustado pela adição de solução de NaOH 1M ou
NaHCO3, para manter as condições operacionais mais próximas daquelas
encontradas industrialmente, conforme mostrado na Tabela 1. Com exceção dos
experimentos 5 A, B (controle) sem adição de solução enzimática, todos os
tratamentos foram efetuados empregando uma concentração de enzima de 3 mg/mL.
Os balões foram incubados por um
período máximo de 24 horas numa temperatura de 40°C, em banho de silicone, com agitação magnética (600
rpm). Periodicamente foram retiradas amostras de 2 g do meio reacional e o teor
de ácido graxo quantificado por titulação com KOH 0,02 N. O ensaio com maior formação de ácidos graxos,
foram determinadas os teores de glicerol, proteína e Demanda Química de
Oxigênio (DQO).
Tabela 1. Ensaios da hidrólise do efluente
empregando as preparações enzimáticas.
|
LKM
|
LPP
|
[E]
(%)
|
Goma
(%)
|
CaCl2
(g)
|
Ajuste
de pH
|
|
1 A
|
1 B
|
0,3
|
3
|
0
|
Ausente
|
|
2 A
|
2 B
|
0,3
|
3
|
0
|
Presente1
|
|
3 A
|
3 B
|
0,3
|
7
|
0
|
Ausente
|
|
4 A
|
4 B
|
0,3
|
7
|
0
|
Presente2
|
|
5 A
|
5 B
|
0
|
7
|
0
|
Presente2
|
|
6 A
|
6 B
|
0,3
|
7
|
0
|
Presente1
|
|
7 A
|
7 B
|
0,3
|
3
|
0,11
|
Ausente
|
|
8 A
|
8 B
|
0,3
|
7
|
0,11
|
Presente1
|
LKM- Lipase pancreatina Kin Master
LPP- Lipase pancreática Sigma
1-Ajuste de pH com solução NaOH
1M
2-Ajuste de pH com NaHCO3
2.3. Análises
O teor de sólidos totais foi
determinado por evaporação do efluente com o auxílio de um rotoevaporador. O
índice de acidez, índice de saponificação e porcentagem de ácidos graxos livres
foram determinados segundo metodologia descrita por Moretto e Fett (1998). O pH
foi determinado com o auxílio do pHmetro. Densidade foi determinada com o
auxílio de um picnômetro. A demanda química de oxigênio (DQO) foi determinada
pelo método descrito por APHA (1992). O teor de proteínas foi determinado pelo
método de Bradford (Bradford, 1976). A concentração de glicerol foi determinada
segundo metodologia descrita por Cocks e Van Rede (1966). A concentração de
ácidos graxos formados foi calculada pela equação1.
onde:
MKOH= Concentração Molar da solução de KOH; VKOH= Volume
gasto de KOH na titulação (mL); Va= Volume da amostra (mL)
3. RESULTADOS E
DISCUSSÕES
3.1. Caracterização do efluente
O
soro do leite, utilizado como efluente das indústrias de derivados lácteos, foi
caracterizado conforme resultados mostrados na Tabela 2.
Tabela 2: Parâmetros de caracterização
do soro de leite
.
|
Parâmetros
|
Resultados
|
|
Sólidos Totais
(g/L)
|
7,53
|
|
Índice de
Acidez
|
1,33
|
|
Índice de
Saponificação
|
60,2
|
|
pH
|
6,41
|
|
Densidade (g/cm3)
|
1,02
|
|
Ácidos Graxos
Livres (%)
|
0,63
|
|
Proteínas
(mg/mL)
|
1,43
|
|
Glicerol (%)
|
2,79
|
3.2. Efluente Tratado com Lipases
As Figuras 1 e 2 mostram a
concentração de ácidos graxos formados pela hidrólise do efluente por meio das
lipases pancreáticas LKM (Kin Master) e LPP (Sigma) após 24 h de tratamento.
Para ambas preparações (numa concentração de 3mg/mL) a maior porcentagem de
hidrólise de óleos e gorduras presentes no efluente foram obtidas nas seguintes
condições experimentais: 3% (m/v) de agente emulsificante, ajuste de pH com
solução de NaOH 1M e ausência de íons cálcio (ensaios 2 A, B). Os experimentos
realizados com ajuste de pH com NaHCO3 (4 A, B e 5 A, B), não
apresentaram resultados satisfatórios. O pH do meio reacional elevou-se
rapidamente a valores superiores a 9,0, afastando do pH ótimo de atuação das
preparações enzimáticas (LPP=7,5 e LKM=8,0), reduzindo significativamente a
atividade lipolítica das lipases. A quantidade de ácido graxo eventualmente
formado pela hidrólise enzimática foi similar ao do controle, sendo computado
ao final do tratamento enzimático concentrações de ácidos graxos próximos a
zero. Para detectar possíveis influências do substrato (soro) ou NaHCO3,
foi realizada a hidrólise do azeite de oliva a 20% (v/v) com concentração de
goma arábica a 3% (m/v) empregando a preparação enzimática LKM. Os resultados
obtidos, mostraram pequena variação na formação de ácidos graxos. O pH do meio
reacional aumentou até 8,4, não alterando significativamente o pH do ótimo da
enzima. Esses dados sugerem que compostos presentes no soro podem reagir com o
NaHCO3, influenciando negativamente a atividade lipolítica da
lipase. Estudos serão realizados para detectar possíveis compostos que possam
inibir a atividade enzimática.
![]() |
![]() |
|
Figura 1.
Hidrólise do efluente pela lipase LKM.
|
Figura 2.
Hidrólise do efluente pela lipase LPP.
|
LKM- Lipase pancreatina Kin Master
LPP- Lipase pancreática Sigma
Como esperado, o aumento da
concentração de agente emulsificante de 3% m/v (ensaios 2 A, B) para 7%p/v
(ensaios 6 A, B), não correspondeu a aumentos significativos de porcentagem de
hidrólise. Agentes emulsificantes têm sido sistematicamente empregados em
dosagens de atividade lipolítica quando se utilizam triacilgliceróis de cadeia
longa como substratos. Considera-se,
geralmente, que os agentes emulsificantes, especialmente a goma arábica,
não interferem nos ensaios de hidrólise de lipídeos pela ação das lipases. Tiss
et al. (2002) observaram um efeito de
inibição da goma arábica na hidrólise de ésteres trioctanóicos, com a
utilização de lipases de fontes microbiana e animal. Esses autores sugeriram
que compostos tensoativos presentes nas formulações de goma arábica podem ser
responsáveis pelo efeito de inibição em lipases. Essa inibição pode ser
associada ao efeito de dessorção da lipase na interface água/óleo, pois a goma
arábica consiste, principalmente, de cadeia de polissacarídeos, incluindo
unidades de ácido glicurônico (Whistler, 1993). Na sua forma ionisada, os
grupos carboxil do ácido glicurônico estão desprotonados e, conseqüentemente,
conferem à interface da emulsão uma carga global negativa. A repulsão
eletrostática de lipases de pâncreas na interface por cargas negativas dos sais
de bílis, presentes nessas preparações, é um outro mecanismo de inibição de
lipases (Borgström, 1975). Goma arábica contém, em sua composição, açúcares
(D-galactose, L-arabinose, ácido D-glicurônico) e 2% de proteínas (prolina,
hidroxiprolina e serina) (Tiss et al.,
2002).
O efeito dos íons cálcio na
atividade de lipases é considerado benéfico, sendo capaz de alterar a
conformação da enzima, ou seja, íons cálcio agem como co-fator da lipase
promovendo um aumento de sua atividade catalítica (Sharma et al., 2001). É sugerido que o cálcio reduz a acidez livre
produzida durante a hidrólise pela formação de sabão de cálcio insolúvel,
permitindo o prosseguimento da reação hidrolítica. A necessidade do cálcio, na
presença de sais biliares e´, provavelmente, para compensar a repulsão
eletrostática criada entre a enzima e grupos carboxílicos dos sais biliares
(Shahani, 1975). A influência da suplementação de substratos com CaCl2 (ensaios
8A, B) na formação de ácidos graxos pela hidrólise enzimática foi pouco
significativa, provavelmente devido a presença de íons cálcio no meio
reacional, tornando desnecessário a sua utilização no meio reacional. Algumas
fontes prováveis de íons cálcio incluem: o próprio efluente (efluentes de
indústrias de derivados lácteos são ricos em íons cálcio) e goma arábica, cuja
formulação contém diversos íons, tais como cálcio, magnésio e potássio.
3.3. Caracterização do Efluente Tratado com
as Preparações de Lipases
Nas amostras de efluentes, tratadas
enzimaticamente nas condições empregadas nos ensaios 2 A,B por 24 h, foram
também determinadas as concentrações de glicerol, proteína e DQO.
Com relação a concentração de
glicerol formado foi verificado um aumento pouco significativo, em relação às
concentrações iniciais. Este fato pode ser relacionado com a fonte de lipase
utilizada (pancreática). As lipases, de fonte animal, são lipases 1,3
específicas que hidrolisam, preferencialmente, ácidos graxos nas posições 1 e 3
nas moléculas de triacilgliceróis, podendo levar ao acumulo de concentrações
significativas de monoacilgliceróis no meio reacional (Benzonana e Desnuelle,
1965). Por outro lado, a composição dessas preparações de lipases pode conter
também esterases, as quais hidrolisam os monoacilgliceróis, liberando glicerol
e uma molécula de ácido graxo. Verifica-se na Tabela 3, que a concentração de
glicerol formado pela lipase LPP foi similar a obtida pela lipase LKM, o que
está de acordo com as concentrações de ácidos graxos formados por essas
preparações enzimáticas.
Tabela 3: Parâmetros de caracterização
do efluente tratado com as preparações de lipases.
|
Lipases
|
Glicerol
(%)
|
Ácidos Graxos (mM/mL)
|
Proteína
(mg/mL)
|
DQO
(mg/L)
|
||||
|
|
0 h
|
24 h
|
0 h
|
24 h
|
0 h
|
24 h
|
0 h
|
24 h
|
|
LKM
|
2,74
|
3,55
|
23,5
|
69,5
|
3,15
|
0,30
|
113.000
|
110.000
|
|
LPP
|
2,76
|
3,59
|
20,5
|
71,4
|
2,40
|
0,20
|
113.000
|
111.000
|
LKM- Lipase pancreatina Kin Master
LPP- Lipase pancreática Sigma
Com relação ao teor de proteínas,
a lipase LKM, adquirida no mercado nacional apresentou uma maior redução quando
comparada com a lipase LPP, de procedência internacional, devido provavelmente
a elevada atividade de protease contida nessa preparação (Boletim Informativo
Kin Master, 2000), degradando mais facilmente os componentes orgânicos
proteicos presentes no efluente.
Lipases pancreáticas têm uma
massa molecular de aproximadamente 50KDa e são normalmente isoladas de pâncreas
ou biles de animais (porco). Por esta razão, são preparações geralmente
impuras, contendo outras hidrolases, como esterases, tripsina, proteases, entre
outras (Kazlauskas e Bornscheuer, 1998). As enzimas de fabricação nacional
apresentam um limitado grau de pureza, o que diminui o seu custo e não
interfere no processo, tendo em vista que na degradação dos lipídeos presentes
em efluentes não é requerido um elevado grau de hidrólise (maior que 90%). Além
disso, a presença de outras enzimas contaminantes (proteases, amilases) é
benéfica ao processo, tendo em vista que os efluentes das indústrias de
derivados lácteos contem, além de gorduras, altos teores de proteínas
provenientes do leite (caseína) e carboidratos como amido, utilizado na
preparação de doces à base de leite e iogurtes.
A redução do teor de DQO foi pouco
significativa, com o tratamento enzimático, devido a alta concentração de
lipídeos, presente no efluente utilizado. Elevadas concentrações de lipídeos
(0,8 a 1,2 g/L) diminui a eficiência de remoção de DQO (Leal et al., 2002). Apesar da pequena redução
de DQO constatada, o tratamento enzimático foi bastante satisfatório,
promovendo a hidrólise de lipídeos e proteínas presentes no efluente testado
neste trabalho. Testes de biodegradabilidade serão ainda realizados para
avaliar o impacto do tratamento enzimático no
tempo de permanência do efluente nas lagoas de estabilização anaeróbias.
Ressalta-se que o custo da lipase pancreatina (LKM) é 5 vezes inferior ao preço
praticado no mercado da distribuição da lipase fornecida pela empresa Sigma
(LPP).
4. CONCLUSÕES
A
formação de ácidos graxos foi favorecida para efluentes emulsificados com goma
arábica (3% p/v), com pH ajustado com solução NaOH 1M e na ausência de CaCl2.
Apesar dos graus de pureza diferentes, as preparações de lipases LKM e LPP
demonstraram desempenhos similares quando usadas na concentração de 3mg/mL.
Ambas enzimas hidrolisaram eficientemente os lipídeos e proteínas existentes no
efluente, entretanto a concentração de matéria orgânica presente no efluente
não foi significativamente reduzida, provavelmente devido ao alto teor de
lipídeos no soro de leite. Considerando que a hidrólise de lipídeos é a etapa
determinante na digestão anaeróbia, o tratamento proposto poderá auxiliar na
redução do tempo de retenção hidráulica nas estações de tratamento de
efluentes. A lipase disponível no mercado nacional ofereceu o melhor
custo/benefício, sendo selecionada para realização de experimentos subseqüentes
para avaliação do impacto do tratamento enzimático nesses efluentes, por meio
de testes de biodegradabilidade.
Agradecimentos: Ao Prof. Dr. Ismael
Maciel Mancilha pela obtenção do soro, utilizado como efluente referencial das
indústrias de derivados lácteos, a empresa Kin Master pela doação da amostra da
lipase pancreatina e ao programa CT-Hidro CNPq, pelo suporte financeiro.


Nenhum comentário:
Postar um comentário