Hidrólise
Enzimática do Efluente proveniente de Frigorífico Avícola utilizando Lipase
Ernandes Benedito Pereira1,
Heizir Ferreira de Castro2, Agenor Furigo Junior1
1Universidade
Federal de Santa Catarina – Departamento de Engenharia Química e Engenharia de
Alimentos-Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química, Florianópolis-SC,
E-mail: ernandes@enq.ufsc.br
2Faculdade
de Engenharia Química de Lorena – Departamento de Engenharia Química
Laboratório de
Biocatálise, Caixa Postal 116, 12600-970, Lorena/ SP.
Estudos anteriores
operando com efluentes gerados em frigoríficos avícolas e lipase microbiana de Candida
rugosa indicaram que porcentagens de hidrólise mais elevadas foram
alcançadas em efluentes tamponados no pH ótimo de atuação dessa preparação
enzimática (solução tampão de fosfato de sódio 0,1M; pH 7,0). Para verificar a
influência das variáveis: concentração
de enzima, agente emulsificante e íons cálcio no desempenho da hidrólise dos
lipídeos foi proposto um planejamento fatorial completo 23,
considerando como variável resposta porcentagem de hidrólise após 3 horas de
tratamento. Os resultados obtidos indicam uma influencia significativa da
concentração da enzima e do agente emulsificante, independente da concentração
de íons cálcio. A hidrólise foi maximizada (20,87%) empregando uma concentração
de 0,4% m/v de enzima e 3% m/v do agente emulsificante. O ajuste do pH do
efluente pela adição de NaOH ou NaHCO3 em substituição a solução
tampão e após 12 horas de tratamento elevou a porcentagem de hidrólise dos
lipídeos para 35%.
INTRODUÇÃO
Nas duas últimas décadas
inúmeros melhoramentos no processo anaeróbio de efluentes de indústrias
alimentícias têm sido realizados, principalmente para tratamento de águas
residuárias da produção de açúcar, amido e cerveja (Hu et. al., 2001). Entretanto, para alguns efluentes contendo elevados
teores de óleos e gorduras, como os provenientes de frigoríficos, abatedouros,
laticínios, enlatados, entre outros, a operação de reatores de digestão anaeróbia
apresenta inúmeros problemas operacionais como formação de escuma pelas camadas
de lipídeos, formação de caminhos preferenciais no leito de lodo e arraste da
biomassa, levando a perda da eficiência e até mesmo ao colapso do reator (Leal,
2000; Hu et al., 2001). Os reatores
anaeróbios situados à jusante de unidades fabris são, portanto, suscetíveis à
alimentação de efluentes com teores de gordura acima dos recomendáveis. No caso
específico dos reatores UASB recomenda-se um teor de gordura no efluente não ultrapasse
valores da ordem de 150 mg/L (Leal, 2000).
Técnicas para melhorar a
eficiência dos biodigestores, incluem instalação de caixas de gordura ou
flotadores, tratamentos com adição de álcalis ou enzimas específicas como as
hidrolases, principalmente as lipases (glicerol éster hidrolases, EC 3.1.1.3)
cuja função biológica é a hidrólise de ligações éster carboxílicas presentes em
acilgliceróis com conseqüente liberação de ácidos graxos e glicerol. As lipases
apresentam uma importância particular, pelo fato de hidrolisarem
especificamente os óleos e gorduras, o que pode ser de grande interesse para o
tratamento de efluentes com alto teor de lipídeos. Esse tipo de tratamento
apresenta algumas vantagens, tais como a especificidade que permite controlar os
produtos, o que leva a um aumento dos rendimentos pela não-geração de
subprodutos tóxicos; condições moderadas de operação, redução do custo em
termos de energia e de equipamentos tornando este processo atrativo sob o ponto
de vista ambiental (Masse et al.,
2001).
Estudos
anteriores (Pereira et al., 2002)
operando com efluentes gerados em frigoríficos avícolas e lipase microbiana de Candida rugosa revelaram porcentagens de
hidrólise mais elevadas em meios reacionais ajustados ao pH ótimo de atuação
dessa preparação enzimática, (tampão fosfato 0,1M, pH 7,0). Tomando por base
esses resultados e considerando as inúmeras variáveis envolvidas nesse
procedimento, optou-se pelo uso da ferramenta do planejamento experimental para
determinar as condições ótimas na hidrólise para remoção de gorduras dos
resíduos gerados pela indústria de abate de frango pela preparação comercial de
lipase de Candida rugosa.
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1. Materiais
Todos os experimentos foram realizados com uma
preparação de lipase microbiana (Candida
rugosa) disponível comercialmente (tipo VII, Sigma Co, EUA) com atividade
lipolitíca de 1830 U/ mg (Pereira et al., 2002). O efluente foi obtido
da indústria frigorífica de abate de frango (Indústria Macedo Koerich,
Florianópolis/ SC) e coletado em um único ponto antes de ser conduzido à
Estação de Tratamento (Entrada do Flotador). O efluente foi guardado em
recipientes de plásticos de 5 L limpo não esterilizado e armazenado em freezer
a 0ºC, para conservação das suas características até sua efetiva utilização.
2.2. Métodos
Analíticos
O efluente
foi caracterizado segundo normas recomendas por métodos oficiais (Standard
Methods, 1995). O teor de óleos e graxas foi determinado por extração em
Soxhlet com hexano como solvente. A concentração de ácido graxo livre foi determinada por titulação de alíquotas
dissolvidas em 10 mL de etanol p.a, empregando-se solução alcoólica de KOH
0,02N. A demanda química de oxigênio (DQO) foi medida pelo Método Colorimétrico
de Refluxo Fechado (Hach). A alcalinidade foi medida sem uma separação dos
sólidos em suspensão, titulando-se a amostra com ácido sulfúrico 0,02 N até pH
= 3,7. A acidez foi determinada por via titulométrica, utilizando-se solução de
NaOH 0,1 N, necessários para neutralizar os ácidos livres de uma grama da
amostra. O resultado foi expresso em porcentagem de ácido graxo livre. O índice
de saponificação foi calculado a partir da composição em ácidos graxos, em
função da definição do índice, que corresponde ao número de miligramas de
hidróxido de potássio necessário para neutralizar os ácidos graxos resultantes
da hidrólise de 1 g da amostra, e é inversamente proporcional ao peso molecular
dos ácidos graxos dos glicerídeos presentes (Moretto et al., 1998).
2.3. Delineamento Experimental
Para verificar
a influência das variáveis: concentração de enzima (x1), do agente
emulsificante (x2) e íons cálcio (x3) na porcentagem de
hidrólise enzimática do efluente foi adotada a metodologia do planejamento
experimental empregando uma matriz 23. Foram realizados
ensaios adicionais no ponto central para estimar o erro experimental. A
variável resposta considerada foi a porcentagem de hidrólise. Os níveis
utilizados na matriz foram selecionados com base nos resultados obtidos
anteriormente (Pereira et al., 2002), conforme mostrado na Tabela 1. A
análise estatística dos resultados foi realizada utilizando-se o programa
STATISTICA versão 6.0.
Tabela 1. Níveis das variáveis utilizados no planejamento fatorial
completo 23
|
Níveis
|
|||
|
|
Mínimo
(-)
|
Médio
(0)
|
Máximo
(+)
|
|
Concentração de lipase [E] (% m/v)
|
0,1
|
0,25
|
0,4
|
|
Concentração de agente emulsificante [AE] (% m/v)
|
0
|
1,5
|
3
|
|
Concentração de CaCl2 (M)
|
0
|
0,01
|
0,02
|
As
hidrólises foram realizadas em frascos de 250 mL contendo 100 gramas de
efluente, 40 mL de solução tampão de fosfato de sódio (0,1M, pH 7,0) e
quantidades apropriadas de enzima, agente emulsificante (goma arábica) e
cloreto de cálcio. Os frascos foram incubados por um período máximo de 6 horas
numa temperatura de 40°C, com agitação magnética (200 rpm). Periodicamente
foram retiradas amostras e quantificados os teores de ácido graxo por titulação
com KOH 0,02N usando fenolftaleína como indicador. A porcentagem de hidrólise
foi calculada pela determinação da concentração de ácidos graxos formado durante
a reação de hidrólise dos triglicerídeos presente no substrato, de acordo com
a equação 1 (Rooney et al.,
2001).
onde: VKOH = volume de KOH da amostra (mL); NKOH= normalidade do KOH (0,02 N);
MM= massa molecular média dos ácidos graxos no efluente (318,3); m= massa da
amostra; f = fração de óleo e graxas (48,3 g/L).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1. Caracterização
Química do Efluente
A composição
química de um determinado efluente pode variar de acordo com a hora da coleta,
estação do ano, lavagem, entre outros. Em efluentes provenientes de
frigoríficos de abate de frangos, além de lipídeos, vários outros componentes,
provenientes do processo industrial de escaldagem e depenagem, da lavagem do
frango, das vísceras, dos equipamentos, dos pisos e outros, podem estar
presentes, tais como amônia e fosfato.
Na Tabela 2 encontram-se alguns dos compostos
presentes no efluente usado nesse estudo. Os valores encontrados para os
diversos componentes analisados, indicam que a composição química está dentro
dos limites de variação esperada. O valor encontrado para o índice de
saponificação (IS = 188,60 mg KOH/g) é similar aos valores normalmente
encontrados nos óleos origem animal (160-193). O índice de saponificação
comprova a presença de composto insaturado, sendo de extrema importância no
cálculo da massa molecular média dos ácidos graxos do efluente. A massa
molecular do efluente determinada foi de MM=318,3 g/mol. O índice de acidez de
3% está acima do valor esperado dos óleos em geral, os quais devem apresentar
valores máximos de acidez de 1,5%. Observa-se ainda que o efluente apresenta
uma alta carga orgânica expressa em termos de demanda química de oxigênio
(39296 ppm), fato normalmente verificado em efluentes com elevados teores de
gorduras.
Tabela 2.
Composição química do efluente
|
Análise
|
Resultado
|
|
pH
|
6,2
|
|
Acidez
(%)
|
3,0
|
|
Alcalinidade
(mg CaCO3/L)
|
75,1
|
|
DQO
(mg/L)
|
3.930
|
|
Amônia
(mg/L)
|
17,4
|
|
Fósforo
total (mg/L)
|
7,30
|
|
Fosfato
total (mg/L)
|
80,70
|
|
Índice
de saponificação (mg KOH/g)
|
188,6
|
|
Massa
molecular (aproximada) (g/mol)
|
318,3
|
|
Óleos
e graxas (g/L)
|
48,3
|
|
Massa
específica (g/mL)
|
0,92
|
|
Ácidos
graxos livres (%)
|
53,6
|
|
Ácido
oléico (%)
|
14,4
|
3.2. Hidrólise
Enzimática
Na Tabela 3
encontram-se os resultados obtidos nos ensaios realizados com base no
planejamento fatorial 23, para avaliação das variáveis: concentração
de lipase (x1), agente emulsificante (x2) e íons cálcio
(x3) na formação de ácidos graxos (mM) e porcentagem de hidrólise
alcançada após 3 h de tratamento enzimático.
Tabela 3 – Matriz
do planejamento fatorial completo 23 para a lipase de Candida rugosa
|
Ensaio
|
Valores reais
|
Resposta
|
|||||
|
|
[E]
%
|
[AE]
%
|
[CaCl2]
M
|
Hidrólise
(%)
|
Ácidos
graxos formados (mM)
|
||
|
1
|
0,1
|
0
|
0
|
8,1
|
10,0
|
||
|
2
|
0,4
|
0
|
0
|
16,1
|
20,0
|
||
|
3
|
0,1
|
3
|
0
|
13,7
|
17,0
|
||
|
4
|
0,4
|
3
|
0
|
19,4
|
21,0
|
||
|
5
|
0,1
|
0
|
0,02
|
7,3
|
9,0
|
||
|
6
|
0,4
|
0
|
0,02
|
10,5
|
13,0
|
||
|
7
|
0,1
|
3
|
0,02
|
16,1
|
15,0
|
||
|
8
|
0,4
|
3
|
0,02
|
22,6
|
28,0
|
||
|
9
|
0,25
|
1,5
|
0,01
|
12,9
|
16,0
|
||
|
10
|
0,25
|
1,5
|
0,01
|
14,5
|
18,0
|
||
|
11
|
0,25
|
1,5
|
0,01
|
11,3
|
14,0
|
||
A liberação de ácidos graxos variou entre 10 mM a 28 mM, correspondendo
a porcentagens de hidrólise entre 8,1 a 22,6%. Verifica-se que a formação de
ácidos graxos foi dependente da concentração de lipase e do agente
emulsificante. A suplementação de íons cálcio no meio reacional não apresentou
efeito significativo, provavelmente devido à presença de cálcio na goma
arábica, tornando desnecessário o uso de CaCl2. De uma maneira
geral, a reação de hidrólise foi favorecida para meios reacionais emulsificados
com goma arábica e concentração de lipase nos níveis máximos.
Na Tabela 4 reúne os dados da análise dos efeitos, erros-padrão e do
teste t de Student’s. Verifica-se que apenas a variável concentração de íons
cálcio (x3) não foi estatisticamente significativa num nível de 95%
de confiança (p=0.88). Tanto o efeito da variável x1 como x2
apresentaram valores similares (5,85 e 7,45) e significativos ao nível de 99%
de confiança, sendo selecionados para estimativa do modelo matemático que
descreve o processo de hidrólise na região experimental estudada.
Tabela 4. Estimativas dos efeitos, erros padrão e teste t de
Student´s para a porcentagem de
hidrólise do efluente, de acordo com o planejamento fatorial completo 2
3.
|
Variáveis
|
Efeitos
|
Erro-padrão
|
Valores de t
|
Valores de p
|
|
Média
|
13,86
|
±
0,54
|
25,63
|
|
|
Enzima (x1)
|
5,85
|
±
1,27*
|
4,61*
|
0,001*
|
|
Goma (x2)
|
7,45
|
±
1,27*
|
5,87*
|
0,004*
|
|
CaCl2 (x3)
|
-0,20
|
±
1,27
|
-0,16
|
0,88
|
|
x1x2
|
0,25
|
± 1,27
|
0,19
|
0,85
|
|
x1x3
|
-1,00
|
± 1,27
|
-0,79
|
0,47
|
|
x2x3
|
3,00
|
± 1,27
|
2,36
|
0,08
|
*p< 0,01
Os efeitos principais foram ajustados por
análise de regressão múltipla para um modelo linear e a melhor função
linearizada, pode ser demonstrada pela equação 2.
y = 14,22 + 2,92 x1 + 3,73 x2 (2)
onde: y é a
variável resposta, x1 e x2 representam os valores
codificados para concentração de enzima e concentração de agente emulsificante.
A
significância estatística do modelo matemático foi avaliada pelo teste F
(Tabela 5), demonstrando que a regressão é altamente significativa a 99% de
nível de confiança e apresenta um bom coeficiente de determinação (R2=0,94),
deste modo, justificando 94% a variação total da resposta. Segundo Barros Neto et al. (1995),
para a regressão não ser apenas estatisticamente significativa, mas também útil
para fins preditivos, o valor de F calculado deve ser no mínimo 4 vezes maior
que o F tabelado. Desta forma, o modelo estatístico determinado para a
porcentagem de hidrólise foi também preditivo.
Tabela 5. Análise de Variância
para o modelo fatorial selecionado
|
Efeitos
|
Soma quadrática
|
Graus de liberdade
|
Média quadrática
|
F
|
p
|
|
Modelo
|
179,45
|
2
|
89,73
|
21,48
|
0,0010
|
|
Curvatura
|
3,83
|
1
|
3,83
|
0,92
|
0,37
|
|
Resíduos
|
29,25
|
7
|
4,18
|
|
|
|
Falta de ajuste
|
24,13
|
5
|
4,83
|
1,88
|
0,38
|
|
Erro Puro
|
5,12
|
2
|
2,56
|
|
|
|
Total
|
212,53
|
10
|
|
|
|
3.2. Ajuste do pH com
bicarbonato de sódio e hidróxido de sódio
Empregando as condições
estabelecidas anteriormente foi verificada a influência da substituição da
solução tampão de fosfato de sódio por soluções de bicarbonato de sódio e
hidróxido de sódio para ajustar o pH do meio para 7,0. Na presença de
bicarbonato de sódio ou hidróxido de sódio observou-se um aumento na
porcentagem de hidrólise estimado em torno de 35%, caracterizado pela formação
de ácidos graxos e glicerol, conforme mostrado na Tabela 6.
Tabela 6: Parâmetros de
caracterização do efluente tratado com Candida
rugosa
|
Ajuste
de pH
|
Glicerol
(%)
|
Ácidos
Graxos
(mM/mL)
|
Demanda
Química
de
Oxigênio
(mg/L)
|
|||
|
|
0
h
|
12
h
|
0
h
|
12
h
|
0
h
|
12
h
|
|
Tampão
|
0,34
|
0,50
|
0,25
|
0,41
|
-
|
-
|
|
NaHCO3
|
0,18
|
0,28
|
0,06
|
0,68
|
20914
|
21857
|
|
NaOH
|
0,25
|
0,35
|
0,10
|
0,65
|
22557
|
26646
|
Não foi verificada redução da matéria orgânica em
termos de DQO. De fato, houve um pequeno aumento da DQO em 15% após a hidrólise
enzimática, provavelmente devido ao teor de lipídeos no efluente tratado (48,30
g/L). Esses resultados são similares aos descritos por Jung et al. (2002), nos tratamentos efetuados
em efluentes contendo teores de gorduras da ordem de 800 mg/L. Apesar disso, o
tratamento enzimático foi bastante satisfatório, promovendo a hidrólise parcial
dos lipídeos presentes no efluente.
4. CONCLUSÕES
Neste trabalho foi verificado o
efeito de diferentes condições operacionais na porcentagem de hidrólise dos
lipídeos presentes no efluente de abate de frangos. O monitoramento da
hidrólise foi realizado por meio da quantificação dos ácidos graxos livres em
função do tempo de reação. O uso do planejamento fatorial mostrou ser uma
ferramenta importante para otimizar as condições de hidrólise desse efluente
pela lipase de Candida rugosa. De acordo com o modelo matemático
proposto, porcentagens de hidrólises mais elevadas (20,87%), podem ser obtidas
empregando uma concentração de enzima de 0,4% (m/v) em presença de agente
emulsificante (3% m/v). A substituição da solução do tampão fosfato por solução
de NaHCO3 ou NaOH, elevou o grau de hidrólise para 35%.
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